Monday, December 28, 2020

A IMPORTÂNCIA DA TRANSFORMAÇÃO DOS PROFESSORES EM TEMPOS DE ISOLAMENTO SOCIAL


No contexto da pandemia, a educação imergiu em processo de transformações sem precedentes. Os modelos de ensino-aprendizagem sobre os quais nós, educadores, tínhamos domínio foram postos em cheque. Passamos, e ainda estamos passando, por um profundo processo de questionamento
e pelo desafio de construção de um formato de aulas online realmente eficaz para os educandos.

No início do isolamento social, boa parte dos esforços se concentrou no domínio de novas tecnologias digitais. Nesse contexto, os professores entenderam a necessidade de reinvenção e aquisição de novas habilidades e se transformaram, em menos de um mês, em protagonistas do processo de migração do modo presencial para o modelo à distância. O enfrentamento corajoso dos desafios trouxe alegria e esperança ao conjunto da comunidade escolar. Todavia, é de conhecimento geral que a nova situação, à qual todos fomos submetidos, vem produzindo um estado de desconforto, cansaço, insegurança, ansiedade e frustração permanentes.

Mesmo em meio ao diagnóstico esboçado, é necessário sublinhar que o contexto pandêmico, bem como as consequentes medidas de isolamento, ainda não se encerrou. Nesse sentido, é importante que estejamos sensíveis e atentos, compreendendo que as constantes mudanças pelas quais o mundo passa requerem, especialmente de nós educadores, formas inovadoras de compreensão e intervenção sobre a realidade.

Em síntese: partindo da perspectiva de que ainda estamos diante de um fenômeno sem precedentes e escrevendo, todos os dias, uma história que não sabemos o final, desejo que não nos falte sensibilidade, resiliência e muito investimento (de tempo, sobretudo) em nossos respectivos processos de formação continuada. Esses três elementos podem ser fundamentais na construção permanente de bases intelectuais e emocionais sólidas, no sentido de enfrentarmos os desafios impostos pela pandemia e caminharmos firmes no propósito da construção de uma educação pautada em valores empáticos e cidadãos, de profundo amor e respeito à condição humana. 

Rafael Davino, 30, professor.

Thursday, December 24, 2020

O homem de rebanho

 


Alexis de Tocqueville foi um dos grandes teóricos e narradores do processo revolucionário francês de 1789.  Seu avô foi guilhotinado em 1794 no chamado “período do terror”. Catástrofe impulsionada pelo clima de ódio das classes populares pela elite aristocrata. Tocqueville viveu em momento de transição brusca nas hierarquias socias da França do século XIX. Seu sangue aristocrata representava uma ameaça frente aos ressentimentos disseminados pelos revolucionários. Por isso, tinha cautela em assumir-se nobre.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche também viveu no século XIX, porém não sofreu perseguição alguma em sua vida.  Rendia louvores à aristocracia em seus escritos. Dizia-se ter sangue nobre, cuja prova se encontraria em um passado distante na parte de sua família polonesa.

Tocqueville, sendo verdadeiramente aristocrata, narrou os horrores que uma agitação de massa pôde causar, por isso detinha enorme cautela em assumir sua classe. Já Nietzsche, apresentando origem nobre duvidosa, tinha pela aristocracia uma visão um tanto quanto romântica. Enxergava nela a representação das forças ativas no mundo e sentia orgulho de pertencê-la, mesmo que em um passado remoto.

Embora diferentes nestes aspectos, Tocqueville e Nietzsche, coincidentemente, foram capazes de tecer críticas parecidas sobre a condição do homem no século XIX. Os dois chegaram à conclusão que o homem chegou em sua “última” fase de desenvolvimento, aquilo que o próprio Nietzsche conceituaria como o “último homem”. Curiosamente, este último homem não representava o ápice da evolução da espécie. O “último homem” representava a sua mais completa decadência.

Tocqueville teve a oportunidade de visitar os Estados Unidos na metade do século XIX e ali documentou suas observações sobre os americanos. O homem americano era um homem acomodado, sem brilho, perdido no meio da multidão, no qual suas necessidades eram supridas por um poder acima deles, chamado democracia. A democracia transfomou esse homem em eleitor, em números, em um gado a ser guiado. No limite, Tocqueville acreditava que o homem americano trocou sua autonomia pelo prazer e segurança que o Estado lhe oferecia.

Nietzsche, talvez o maior crítico da sociedade europeia no século XIX, também promoveu comentários bastante críticos sobre o estágio existencial de seus semelhantes no continente. Homem já não capaz de sair em aventuras, de arriscar-se ao desconhecido. Um homem conectado a um emprego público, suplicando por um salário-mínimo, preocupado com o seu bem-estar. Um homem que elegeu a fraqueza como um subterfúgio para justificar sua covardia, sua timidez, sua incapacidade de enfrentar as contingências da vida.  

Em síntese, o “último homem” na visão de Nietzsche e Tocqueville era o homem que aceitou tornar-se rebanho em troca do prazer provido pela sociedade de consumo,  e pela segurança provida pelo Estado. De certa forma, este modelo de homem era o oposto moral do homem aristocrata, cujas virtudes baseavam-se na coragem, no prazer pelo desconhecido, na competição, na guerra e na vitória. Nietsche e Tocqueville observaram o mundo em uma transição moral. Era o fim da aristocracia e seus valores de bravura e distinção, e o florescer de um rebanho medroso e conformado.

 

Estevao Damacena, mestre em História, 28

 

Thursday, October 22, 2020

A pornografia tem destruído as relações humanas

 


Existe um problema que precisamos enfrentar nos dias atuais. Temos perdido nossa capacidade de interação com outro ser humano. Por quê temos tanto medo de “puxar uma conversa” com outra pessoa? Por quê não conseguimos mais travar contato visual? Por quê em toda conversa carregamos essa insegurança que a outra pessoa não quer nos ouvir? De onde vem tanta ansiedade ao lidar com nosso próximo?

Esse fenomeno da social anxiety tem atingido homens em proporções cada vez maiores em nossa era. A consequência direta é que já não somos mais capazes de desenvolver interações naturais, sobretudo com mulheres. Estamos tímidos e constrangidos, e de alguma maneira, carregamos conosco um eterno sentimento de culpa.

Não precisamos ser espertos o bastante para saber que a causa fundamental de tudo isso é o vício em pornografia. O instagram tem se tornado uma versão mais soft, mais suave de conteúdos pornográficos. Os clips de músicas tem apresentado progressivamente sua cantoras semi-nuas para públicos jovens, quando não infantis. O cinema de igual modo tem colocado as relações entre homem e mulher cada vez mais promíscua. Em resumo, todo o mainstream que nos cerca tem condicionado em nosso sub-consciente que as relações entre homem e mulher devem ser pautadas na busca pelo prazer sexual. Homens estão sendo convencidos de que, para eles terem validade, devem chegar ao sexo o mais rápido possível a cada vez que conhece uma gatinha. Aqui estamos no coração do problema!

Todo esse conteúdo sujo que nos cerca criou em nossa mente uma realidade paralela. Essa palavra com 4 letras,s-e-x-o, tem nos deixado ansiosos a cada interação. Nosso sucesso está sendo pautado em quão rápido somos capazes de fazermos uma mulher abaixar sua calcinha. Quando percebemos minimamente que não estamos tendo sucesso nisso, nos sentimos menos homens, nos sentimos frustrados e infelizes. Projetamos aquelas imagens de websites sujos que assistimos para as mulheres de carne e osso do nosso dia-a-dia. Isso cria uma distorção. Sua mente espera que toda mulher comporte-se promiscuamente. Nossa mente está mergulhada na pornografia dos mais variados níveis, e não estamos nos dando conta de que este é o problema. A má notícia é que isto tem destruído o fluxo natural das relações humanas.

O primeiro passo para voltarmos a sentirmos seguros e felizes em se conectar com o nosso próximo é fechar essa janela da luxúria. Desligue-se destes conteúdos promíscuos; pare de liberar energia com masturbações desenfreadas e que te faz sentir um lixo logo após. Libere-se da tensão em pensar constantemente o que ela tem entre as pernas a cada vez que você conhece uma nova mulher. Sua obrigação como homem não é fazê-la ir par a cama contigo. Se este é o seu objetivo sempre que conversa com uma mulher, você coloca um peso absurdo em suas costas. Isso cria ansiedade, medo, culpa, timidez e, o pior, desvirtua uma relação que deveria ser saudável em primeiro lugar.  Apenas esteja curioso em genuinamente conhecer a outra pessoa. A boa notícia é que seres humanos tem uma necessidade que é eterna: todos nós temos um desejo de se conectar com o outro. Tire vantagem disso!


Estevão Damacena, Mestre em História, 28

Monday, June 15, 2020

Nietzsche e o sentimento de culpa




Existe uma literatura vasta sobre o processo mental que nos faz sentir culpados. O sentimento de culpa emerge na consciência, nos pensamentos regidos pelo Ego. O Ego, atormentado pelas regras morais que vêm de fora, conhecido como super-ego, convence-se que fez algo de errado, e por isso encaminha as punições necessárias como forma de coibir seus pecados. Quando o sujeito acredita ser culpado, ele tortura-se mentalmente(ou fisicamente), pois acredita que todo crime deve de ter um castigo correspondente a fim de que haja uma compensação, uma redenção.

 Pensando em termos históricos e antropológicos, essa relação entre crime e castigo, não foi invenção do código penal que toda sociedade minimamente impõe a seus habitantes. Friedrich Nietzsche em seu clássico livro A genealogia da moral costura a ideia de que crime-castigo tem sua origem na perene relação entre credor e devedor.

Aquele que toma algo emprestado, o devedor,  precisa conceder uma garantia ao seu credor de que irá lhe pagar. O devedor coloca à disposição do credor algo que se dispõe e que controla. Como garantia do pagamento, ele penhora, além de objetos materias também objetos afetivos, tais como sua esposa, seus filhos ou até mesmo sua própria vida. Caso o devedor não cumpra com o acordo, o castigo entra em ação como uma forma deliberada de o credor ser compensando pelo dano que recebeu. A essa compensação nós chamamos justiça.

Neste caso que relatamos, o castigo vem como uma força externa em que o devedor não controla. Por mais cuidadoso que seja, na eventualidade de o acordo ser descumprido, o credor tem a prerrogativa de castigar. O castigo é a forma de reparação pelo dano sofrido.  Nestas circunstâncias, tudo que o devedor tem de fazer é se resignar. Houve um cálculo de ações cujo fim não foi conforme esperado, e por isso sobrevirá sobre o devedor algo indesejado. O castigo entra em cena como elemento compensador pelo dano que ele cometeu. O que cabe ao devedor é aceitar tal destino, como algo que está fora de seu controle. Uma vez castigado, há redenção. Não permanecia na mente do devedor “eu sou culpado”. Sua “culpa” foi liquidada pelo castigo.

Entretanto o que Niezsche nos ensina é que após anos e anos dessa relação no plano social, ela também se entranhou no âmbito psicológico. Desenvolvemos um credor interno. Esse credor interno se chama consciência. Essa consciência o filósofo alemão chama de má-consciência. A má-consciência age como o credor que anseia por um castigo-compensação quando cometemos delitos, pecados. A única maneira dessa culpa se dissipar é através do castigo, auto-flagelo. Ela é má pois, diferentemente da situação anterior, a má-consciência está sempre buscando maneiras de achar-se culpada. Se antes o devedor se via livre da culpa ao ser castigado, a má-consciencia continua nos acusando mesmo após o castigo.

Portanto, dependendo do aprofundamento da má-consciencia em nossa psique, esse sentimento de culpa pode não achar um castigo compensandor o suficiente. O caminhoneiro que acidentalmente atropela uma criança causando seu óbito. Por mais que ele possa cumprir sua pena integralmente na cadeia, ao sair, não conseguiu esquecer o ato e ainda se sente “culpado”. Sua consciência enquanto credora ainda está cobrando uma compensação pelo dano que cometeu, compensação essa que possivelmente  nunca virá.

Tuesday, May 5, 2020

A queda do muro de Berlim e o fim de uma era





Por muito tempo, a disciplina de História teve como magna preocupação o registro dos grandes eventos. Utilizar-se da escrita para narrar um acontecimento importante foi a arma que os homens encontraram para lutar contra o esquecimento. História é tudo aquilo que ainda não passou. É um evento do passado que se faz presente através dos relatos. Há eventos que não podem ser esquecidos. A queda do muro de Berlim em novembro de 1989 é um deles.

Sabemos que o mundo se viu em um contexto de muitas incertezas após a 2° Guerra. Subsequente ao conflito armado que dizimou milhões de vidas, surgia a Guerra Fria, embate que forçou o planeta a experimentar uma divisão de ideias entre Washington e Moscou. Neste contexto, em 1949 nascia a República Democrática Alemã, também conhecida por Alemanha Oriental. A RDA optou por rejeitar o ocidente e decidiu seguir o caminho político do bloco socialista do leste europeu.
A “cortina de ferro”, expressão do primeiro ministro Britânico Winston Churchill em discuro histórico em 1946, foi um recurso linguístico utilizado para identificar a divisão de ideias que rasgava ao meio a Europa Ocidental e Oriental. Por ironia da história, essa “cortina de ferro” imaginária ganhou forma sólida em 1961, quando a RDA decidiu erigir um muro, dividindo a cidade de Berlim em duas esferas.

Cidades construindo muros não é algo novo na história humana. As urbes do mundo antigo se utilizavam deste recurso como forma de se proteger de ataques inimigos. A RDA tinha isso em mente. Desejava que os ventos de liberdade do lado Ocidental não penetrassem em suas instituicões, tampouco no espírito de seu povo. Todavia, o muro teve outro propósito, talvez único na história da humanidade. Intentou prender seu próprio povo dentro de suas fronteiras. Sacrificou a liberdade de ir-e-vir dos seus cidadãos em nome de um projeto maior chamado Comunismo. A torre de comando na fronteira foi autorizada pelo líder Erich Honnecker a se utilizar de força letal(“order to fire”) nos individuos que insistissem em passar ao ocidente. Era o exemplo máximo do totalitarismo.

28 anos depois, em 1989, o mundo se via talvez em um outro espírito de seu tempo. Os clamores por liberdade ecoavam nos quatro cantos dos continentes. Estudantes, operários, intelectuais, artistas, todos à sua maneira materializavam as “primaveras políticas” nos países do leste europeu, clamando por relações mais horizontais, mais liberdade, mais autonomia, mais vida. Esses ventos de “liberalização” sopraram para dentro dos ortodoxos Partidos Comunistas, forçando suas lideranças a atenderem estes novos anseios.

A RDA viu no ano de 1989 mais de 200 mil de seus cidadãos migrarem para o lado ocidental do muro, seduzidos pelo sonho de uma vida mais farta e menos penosa. A situação diplomática escalava, e o ocidente forçava a RDA a abrir suas fronteiras, permitindo a livre circulação de seus cidadãos. Neste clima de animosidade, Mikail Gorbachev, líder da URSS, visitou a RDA em outubro de 1989 junto a outros integrantes do Pacto de Varsóvia. Sua palavras foram, “as questões diplomáticas entre a RDA e a Alemanha Ocidental serão decididas em Berlim e não em Moscou.”

Gorbachev anunciava ao mundo que Moscou não estaria mais disposta a interferir em seus Estados satélites, prática comum até alguns anos antes. A nova postura de Moscou representava a gradual liberalização dos regimes socialistas do leste europeu. Em novembro de 1989, sob uma liderança reformista de Hans Modrow, a RDA decidiu abrir sua fronteira com o Ocidente, dando início à queda do muro de Berlim e à reunificação da Alemanha, um sonho que muitos à época não imaginariam que pudessem testemunhar. O muro representava mais que apenas pedras e cimento. Era a materializaçao de um mundo divido, de abusos de poder, de sonhos interrompidos, de vidas ceifadas. Um muro que aquele momento se desintegrou sem grandes esforços; veio ao chão pelas forças da história e de seu espírito que impele as ações dos indivíduos. Cabe a nós jamais deixarmos que tal evento se perca no esquecimento.

Estevão Damacena, 27

Tuesday, April 21, 2020

O senhor de escravo em todos nós






Sabe aquela sensação gostosa quando descarregamos nossa raiva em alguém? Quando o sofrimento de outro nos traz contentamento? A isso nós chamamos de sadismo. Ser sádico é sentir prazer quando vemos o outro sofrer.  
Em sua infância, Brás cubas, personagem principal do romance de Machado de Assis, relembra seus feitos sádicos dos tempos juvenis. Quando menino, detinha um escravo em sua casa. Como forma de diversão, pedia ao moleque que ficasse em seus apoios. Montava-lhe no dorso e fazia do negrinho um potro imaginário. Performava-se cavaleiro em cima do menino escravo, com a vara na mão, obrigando o menino a dar voltas pelo espaço da sala. O moleque escravo exausto da brincadeira, após algumas horas, dizia “aai, inhooooô!”. O sinhozinho respondia, “vamos, besta!”. 
Gilberto Freyre nos revela muitos outros exemplos destes impulsos de violência que a escravidão brasileira catalizava. Senhoras que retiravam os olhos das escravas, ou quando lhe cortavam os peitos, ao descobrirem as aventuras lúbricas de seus maridos nas senzalas.
Estes exemplos nos mostram que a escravidão brasileira infelizmente criou o vício do sadismo em todos nós. Podemos ver manifestações dele em outras áreas, tais como na administração pública e na política. O mandonismo e o autoritarismo de muitos políticos brasileiros parecem ser manifestações deste passado que insiste em nos perseguir. Marechal Floriano Peixoto, conhecido como “marechal mão de ferro”: nada simpático a diálogos, e muito vigoroso para a violência. Por que não pensar em políticos que, diante da ordem democrática, não aceitavam transições de poderes. Sempre ávidos para manterem-se no poder. A exemplo, Getúlio Vargas no Estado Novo, ou o contraditório “liberal” Carlos Lacerda, defendendo golpes de Estado quando lhe favorecia.
  De certa forma, todo brasileiro esconde consigo um chicote do senhor de escravo, pronto para virar a mesa ou dar porrada nos marginais e desordeiros que lhe pertubarem. Quando ele mesmo não pode fazê-lo, legitima a polícia. Da mesma maneira que a população deliciava-se em ver escravos fujões sendo castigados por senhores na praça pública, nossa sociedade hoje não esconde sua veia sádica em sentir-se bem quando pivetes são tratados com truculência pela polícia.
 O administrador público também não foge à regra. Quando chega um cidadão em sua repartição, o funcionário já lhe dificulta o processo. Faz o pobre esperar séculos para ser atendido. Trata-lhe com gélida indiferença; exige-lhe pilhas de documentos. Caso falte algum, com a cara sínica argumenta: “desculpa senhor, não conseguiremos avançar com seu processo”. Sabemos que é fachada. Por dentro está sorrindo, regozigando-se por ter tido o poder de fazer padecer mais um miserável durante seu dia de expediente. É ou não é um autêntico senhor de escravos? Porém este veste terno e gravata.
  Percebemos que a formação cidadã do brasileiro carrega estes vícios. Herdados de um passado escravocrata com diferenças sociais gigantescas, representandas na relação senhor-escravo. As marcas deste passado estão aí no nosso dia-a-dia para quem quiser ver, por vezes tão naturais que já não nos causa espanto. O brasileiro, embora  tão cordial e amoroso por um lado, por outro não se embarassa em querer ser senhor, passando por cima da lei e da ética para satisfazer seus desejos. 

 Estevão Damacena, 27


Wednesday, April 15, 2020

A NEGAÇÃO DA CIÊNCIA OU A PAIXÃO PELA IGNORÂNCIA




No século XXI, um fenômeno tem intrigado pensadores de todas as áreas do conhecimento: o discurso de negação da ciência. No geral, esse fenômeno se caracteriza por alguns traços mais ou menos acentuados, como, por exemplo, a invalidação por completo de conhecimentos acumulados pelas ciências humanas e sociais (história, filosofia, geografia, ciência política, sociologia, antropologia); o ataque moral à produção artística; a invalidação da importância da literatura; a deslegitimação de paradigmas consolidados das ciências naturais; o descrédito dos veículos tradicionais de imprensa e da grande mídia.

Longe de querer esgotar por completo o debate sobre as características do fenômeno, me lanço à tarefa de pensar alguns elementos que podem estar na sua origem. Nesse sentido, Ensaio aqui algumas bases explicativas, focalizando em um elemento fundamental: a natureza própria da ciência moderna.

Parto da ideia de que a precariedade do acesso ao ensino formal, bem como de todas as debilidades do ensino público, somados ao advento da democratização da internet e do acesso em larga escala às redes socais, concorrem, em boa medida, no sentido de explicar as origens da negação da ciência. Tudo isso porque, como lembrou o pensador Umberto Eco, as redes converteram o ‘idiota da aldeia’ em autoridade nos mais diversos assuntos. Ou seja, as redes sociais deram voz a uma massa gigante de analfabetos ou semianalfabetos - aproximadamente 70% dos egressos do ensino básico apresentam problemas de formação - haja vista a dificuldade apresentanda na leitura e interpretação de um texto de três parágrafos. No século XXI, segundo Eco, os imbecis têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel. O escritor vai além: os idiotas, que antes envergonhavam-se de suas debilidades e limitações, agora vociferam o seu orgulho em não saber. Apaixonaram-se pela ignorância. Transformaram-na em virtude.
Naturalmente, não enxergo esses dois elementos como os únicos a explicarem o fenômeno de negação da ciência. Especulo que, além destes, outros pontos sejam extremamente importantes, entre os quais destaco: a tentativa de reabilitar as tradições religiosas como única autoridade possível em termos de conhecimento do mundo natural e dos seres humanos, a profunda polarização ideológica que atravessa a nossa geração e a ‘hiper-politização’ de todas as esferas da vida, bem como a natureza singular da ciência moderna - que se distingui de todas as tradições de conhecimento anteriores por adotar como paradigma fundamental a disposição em admitir a própria ignorância. Me detenho neste último ponto.

Yuval Harari, em seu livro Sapiens, lembra que a ciência moderna se baseia na sentença latina ‘Ignoramus’ - nós não sabemos -, que nos adverte sobre a ignorância com relação aos mistérios que envolvem o mundo natural e a vida dos seres humanos. Ela aceita que nosso conhecimento é limitado, podendo ser equivocado, transitório e passivo de superação. Nenhum conceito, ideia ou teoria é sagrado e inquestionável para a ciência moderna, como advertiram pensadores desde René Descartes, passando por Karl Popper e Thomas Kuhn.
É importante sublinhar mais uma vez: a ciência moderna está disposta a admitir abertamente a ignorância coletiva a respeito da maioria das questões mais importantes para a humanidade. E, vale destacar, não são somente as ciências humanas. Dois exemplos: a biologia, depois de séculos de pesquisas científicas, abre espaço para questionamentos sobre como o cérebro cria consciência; os físicos, por sua vez, admitem que ainda buscam as respostas para as causas do Big-Bang.

Contudo, embora a abertura em assumir suas limitações tenha tornado a ciência uma tradição muito mais dinâmica e inovadora que todas as outras tradições de conhecimento anteriores, é precisamente nessas brechas que o discurso anti-intelectual se consolida e se respalda moralmente: se a ciência está disposta a admitir ignorância com relação aos temas mais importantes, isso significa que ela não pode explicar nada, afirmam chefes políticos e autoridades religiosas. Essa última máxima está na base da desmoralização dos saberes científicos e alcança uma quantidade enorme de pessoas através de diversos meios de comunicação em massa – Youtube, Facebook, Instagram, canais de televisão, rádios, etc.  

Então, o saber científico não deve ser contestado? Deve. Ciência não é dogma. É diminuição da incerteza. Mas quem contesta esse saber deve apresentar argumentos contundentes, com base em estudos sólidos, pesquisas e aprofundamento. Os argumentos devem ser pautados em observações e evidências, não em verdades reveladas e frases de efeito que enaltecem o desconhecimento como virtude. Do contrário, a contestação se torna negação irracional, vontade de agarrar-se às próprias certezas. Paixão pela ignorância.
Encerro o texto destacando: ainda que as investigações intelectuais sejam repletas de incertezas, apresentando, quase sempre, mais perguntas do que respostas, vale o esforço de sair da zona de conforto. Afinal, como lembrava Carl Sagan, devemos medir o nosso progresso pela coragem de nossas perguntas e pela profundeza de nossas respostas; pela vontade de aceitar novas verdades e não apenas acreditar naquilo que nos faz sentirmos bem. Nesse sentido, não resta a menor dúvida de que, na ciência e na vida, a ignorância não é uma virtude.


Rafael Davino, Historiador, 29.

Sunday, April 5, 2020


A PANDEMIA, O ISOLAMENTO E A SOLIDÃO

Por Rafael Davino

Pela primeira vez, estamos presenciando um período onde praticamente todos aqueles que compõe a nossa rede mais próxima de amigos virtuais estão na mesma situação. Estamos momentaneamente (sem sabermos até quando) impossibilitados de alimentar o que parece ser uma competição velada entre nós mesmos por views e likes. Não somos bombardeados com o sofrimento e a angústia, travestidos de consumo (de roupas, sapatos e pessoas), nas baladas e resenhas "top", nas imagens repletas de "plenitude", nas competições por lugares paradisíacos, nas águas límpidas etc., que buscam preencher um vazio, que parece cada maior e mais intenso.

A geração onde as lojas, as boates, as agências de turismo, as revistas de moda, a teologia da prosperidade, as celebridades e as sub-celebridades, @s blogueir@s fitness, zens e os coachs ditam as regras do discurso otimista, consumista e individualista - que exigem que estejamos sempre sorrindo e alegres, esperando o melhor independente das tragédias que nos cercam -, foi lançada à realidade com a pandemia do corona vírus. Agora, as pessoas não sabem como agir. Estão desnorteadas com a força e a imprevisibilidade da natureza. Estão perplexas com a fragilidade da vida e não há discurso motivacional de faixada que possa resolver uma situação que requer, sobretudo, pragmatismo e paciência.

Com o isolamento recomendado pelas autoridades sanitárias, fomos colocados diante de nós mesmos. Tudo o que temos, agora, são as nossas próprias companhias. Estamos numa situação que exige o enfrentamento diário do eu, do silêncio dos nossos quartos, do barulho de nossas cabeças, de nossos pensamentos inquietos, da profundeza de nossos abismos. Nesse sentido, uma pergunta se faz necessária: com quem você está quando está sozinho?

Vejo muitas pessoas reclamando desse encontro, alegando que o isolamento traz uma sensação constante de tédio, vazio e solidão. Tudo isso se traduz em insegurança, medo, melancolia e um sentimento enorme de desamparo. Nesse momento, novas formas de comportamento se fazem necessarias.

Transforme o seu tédio, em paz. O seu vazio, em espaço. Busque preencher esse espaço com conhecimento e criatividade. Leia, leia muito (você vai ter tempo). Estude. Se aprofunde em qualquer coisa que você goste ou que possa gostar. Assista filmes (os de comédia, os de ação, os dramas, os clássicos). Ouça musica. Permita-se aprender com a arte.
Aprecie a companhia daqueles que estão realmente por perto. Converse, em total atenção, com os que estão mais próximos de voce. Preste atenção em cada palavra, em suas expressões. Aproveite, também, o ócio. Exercite sua dimensão criativa: escreva sobre os filmes e livros, escreva sobre as músicas, escreva sobre o cotidiano. Escreva sobre suas impressões do mundo. Faça planos, mas pense no futuro com menos ansiedade.

Quando o que sobra é sua companhia, não se assuste. Não tema em ouvir-se, em abraçar-se. Em acolher seus medos e inseguranças. Não tenha medo dos seus encontros consigo mesmo a qualquer hora do dia ou da noite. Aproveite-se. Faça da sua solidão, sua liberdade. Faça da sua vida, sua própria obra de arte.

Em tempos de isolamento provocado por uma catástrofe natural, podemos parafrasear um grande compositor da música popular brasileira: não tome cuidado, não tome cuidado consigo. Você não é perigoso. Viver é que é o grande perigo


Monday, March 30, 2020

Na solidão escutamos a voz que nos convida a se consertar



Por Estevão Damacena

Em um mundo em que seus habitantes estão sedentos por novidades e consumo, permanecer dentro de casa é possivelmente um estorvo. Agora temos a oportunidade de descobrir mais sobre a máxima do filósofo francês Blaise Pascal, “o homem será feliz quando aprender ficar consigo mesmo dentro de seu quarto”. O silêncio é o principal caminho para ouvirmos nosso ser interior.

Conviver e enfrentar a solidão não nos foi ensinado. Não aprendemos a nutrir carinho e cuidado com o ser dentro de nós. Levamos nossa vida de qualquer maneira, investindo em hábitos distrativos, quando não destrutivos. “Ficar consigo mesmo” seria desligar-se do bombardeio do mundo exterior, e se conectar àquele que está contigo desde que você nasceu. Conectar-se àquela voz que vem de dentro. Negligenciamos esta voz a todo momento. 

A voz que nos diz que assistir aquele video no youtube será perca de tempo, e nos sentiremos envergonhados ao terminar. Aquela voz que de antemão te diz que rolar o feed de notícias de seu facebook não te levará a lugar nenhum, mas trará sim descontentamento. Aquela voz que te diz para pegar leve com a bebida, pois o alcoolismo pode ser uma realidade em sua vida.  Ela tenta nos ajudar a acertar nossa vida. Mas estamos condicionados à fraqueza. A excitação destes hábitos é mais forte. Prefirimos o barulho externo, o prazer momentâneo, o entretenimento, a distração. O hedonismo é o nosso Deus. Todavia, insistir nestes hábitos nos torna mais do que não somos, e menos do que poderíamos ser.

Jordan Peterson em livro 12 rules for life diz “take care of yourself as you would take of others”, "cuide-se como você cuidaria de outros”. Cuidar-se, tratar-se com respeito e beatitude se configura em uma atitude de coragem. Requer sacríficio. Requer obedecermos essa voz interior. Podemos chamá-la de consciência, espírito amigo(ou santo), ou vocação.  “Vocação” em sua raíz etimológica se traduz como “aquele que chama”, ou, “a voz que chama”.  Essa voz que chama nos convida a pavimentar nosso destino.

Aproveite a solidão e o silêncio para cuidar de si. Para ouvir esta voz. É ela que nos ajudará consertar nossas vidas. Mesmo que seus erros do passado insistem em te convencer do contrário. Perdoar outros talvez seja mais fácil do que perdoar a si mesmo. Conserte-se, e o mundo colaborará. No silêncio, podemos sim ser felizes.  

Estevão Damacena, 27


Sunday, March 29, 2020

O "jeitinho brasileiro" é brasileiro



Ainda no ano de 2015 - em meu singelo quarto de alojamento da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro lugar que fiz minha graduação – lia pela primeira vez o capítulo “Homem cordial” da obra perene de Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil.O impacto deste texto em minha compreensão sócio-política da nação brasileira foi arrebatador. Ali fui convencido pelo diagnóstico sedutor que o autor nos propõe. Holanda aponta os empecilhos que nos impede de entrar por completo nas águas da modernidade. 

O nosso grande pecado institucional seria a confusão que todo brasileiro faz entre público e privado.A classe intelectual brasileira, assim como a mídia, ainda se dispõe deste “trunfo” quando vão falar dos “entraves” do desenvolvimento do Brasil. Na visão de muitos, nossa transição de uma sociedade patrimonial para o mundo burocrático-legal tem se dado de maneira morosa, truncada e capenga. Por tais razões, há aqueles que acreditam que o Brasil ainda não se inseriu na modernidade, por ainda se ver revestido por relações institucionais defasadas.

O patrimonialismo perene de nossas práticas políticas é visto pela mídia e pelos intelectuais como o grande vilão. A corrupção desenfreada, os privilégios da classe política, o assalto do Estado por interesses privados, o favorecimento de familiares no governo, o “jeitinho brasileiro” são tidos como os elementos definidores do nosso caráter. Situação que nos deixa em dissintonia com os ventos liberais que começaram a soprar no mundo a partir do século XVIII. Nossa perene incapacidade de saber separar o que é publico e o que é privado seria a razão precípua de nosso “atraso”.Sérgio Buarque pintou uma possível saída para estes dilemas. Temos o dever moral de mimetizar o mundo ocidental. Copiá-lo da maneira mais fidedigna possível. 

Deveríamos então apostar no fortalecimento das instituições; obliterar os privilégios do funcionalismo público; implementar o caráter efetivamente impessoal no Estado, sem favorecimento de indivíduos e grupos alheios. O Estado deverá se revestir de um ethos impessoal e eficiente, sem o qual não chegaremos à modernidade.Não há como negar a importância deste diagnóstico. Assim como a grande mídia e muitos intelectuais do nosso Brasil(inclusive nosso ministro da educação), sou adepto desta narrativa. É preciso amadurecer nossas instituições para um caminho liberal. Por outro lado, sou um intelectual que tem noção da história do Brasil. Por isso devemos pontuar algumas ponderações.

Mediante tais dilemas, ainda nos cabe a pergunta: será que a mimetização do mundo ocidental – tão bem defendida pela mídia e intelectuais- nos livraria de todos os males? Será que não estaríamos abrindo precedentes para uma descaracterização genocída de nossa própria cultura e história?Fomentar irrefletidamente no Brasil os valores da modernidade europeia consiste em um exercício perigoso. A formação da sociedade brasileira é única e substancial. Desde sua gênese, a constituição do povo brasileiro se fez por um modelo de colonização que escapou em muito aos gélidos modelos institucionais europeus. 

A minoria de portugueses brancos que para cá se deslocou teve de apostar na miscigenação, no intercurso sexual com as ameríndias e depois africanas. Sem o intercurso sexual dos portugueses com as índias dos cabelos lisos e do corpo nu, que apimentavam o imaginário sexual daqueles que se viam distante de sua terra natal; sem a ligação sexual ( e também moral) do senhor da casa grande com a escrava da senzala; sem estes fatores os portugueses não teriam logrado tamanho sucesso em seu empreendimento na América.O clima tropical, as dificuldades de fertilidade do solo, as correntes mortíferas dos rios, as secas imponderáveis de nosso sertão, as pestes de insetos, os vermes que atacavam os animais de criadouro, toda esta adversidade forçou os colonizadores portugueses a darem o melhor de si. 

A parca quantidade de homens brancos que para cá vinham tivera de desde cedo montar nas índias, conquistá-las seja pelo amor, seja pela dor. Era através do coito que seria garantida a povoação e ocupação do território. Os filhos deste intercurso seriam indivíduos ainda mais adaptados ao meio. Os bandeirantes mamelucos; os filhos da terra: metade índio, metade colonizador. De manhã nas cidades; à tarde na mata a dentro em busca de novos territórios, de mão-de-obra, de ouro.Os portugueses fizeram valer seu histórico de colonização nas Ilhas Atlânticas e no norte da África. No norte do continente africano, há séculos já travavam relações culturais com os árabes, não obstante os embates religiosos. Os portugueses que chegaram ao Brasil já eram seres diferentes de seus próprios pares no continente. Situavam-se na indefinição entre a Europa cristã e a África maometana. 

O hibridismo genético era sua marca. Não por acaso que o aprofundamento das raças, quando chegaram ao Brasil, tornou-se a grande marca da colonização.Somos uma sociedade híbrida. Doa a quem doer, isso é imponderável e incontornável. Gilberto Freyre foi certeiro nesta conclusão. Nossa formação histórica nos coloca como uma nação incomparável, como uma país singular em sua formação cultural. A colonização no Brasil remodelou, a partir de elementos endógenos, as formas prontas que a Europa intentou aqui emplacar. A forma liberal de poder no Brasil ganhou contornos próprios, que se coadunaram com o nosso espírito. Inserir o Brasil contemporâneo no “processo civilizador” europeu é, a principio, necessário e inevitável. Sérgio Buarque de Holanda tinha muito de razão. 

Precisamos amadurecer nossas instituições. Torná-las menos injustas e aristocráticas e mais inclusivas e democráticas.Agora, temos de nos perguntar até que ponto todo esse furor em extirpar de nossa cultura aquilo que consideramos “atrasado”, “caótico” e “degenerado” consiste em um exercício saudável. Somos uma nação única, com uma formação histórica incomparável. Talvez o nosso "jeitinho" seja aquilo que nos caracteriza enquanto povo brasileiro. E ser brasileiro pode sim ser causa de orgulho.

Estevão Damacena, 27

Nietzsche and Peterson can help the "millennials"


Some Psychologists are calling the current youth generation as “millennials”. Young folks who were born  1984 and after are being seen as people with a lack of beliefs, a lack of energy, a lack of will power to accomplish tasks and goals. They, par excellence, contracted the nihilism disease which has been too much disseminated on society. In consequence, they are no longer able to pursue dreams, because everything is losing its meaning, its magic, its incantation. They are the “underground” man, as Dostoevsky says. No perspectives accompanied by laziness whose condition was paved by all the conform and protection parents gave them. The millennial is a picture of what we can affirm as passive nihilism.

Nietzsche is well known as “the philosopher of the hammer”. His intentions were to shake all the “idols” society had constructed. For Idols, Nietzsche means all our idealistic system, all that ideals which deny life itself and transport us to a place beyond. Nietzsche wanted us to attempt to the real-life here and now because that’s the only and last one.
I have seen many people making a huge misunderstanding, calling Niezstche as the father of our post-modernism current ideals, and consequently associating Nietzsche’s ideas with this rising of the millennials. Being more specifically, people blame him as the sparkler of this huge nihilism we are living today, but that is not true.

Nietzsche not only fought against this existential state, but also explained it by somehow. Our current nihilism is the consequence of an event that Nietzsche called “The death of God”. Another common mistake is to believe that Nietzsche was the guy responsible for “killing” God with his “hammer philosophy”, but that is a huge misunderstanding also. When Nietzsche said, “God is dead”, he is actually doing a statement about an event that already happened, rather than proclaiming by himself such fact. He is saying that modernity “murdered” God with its freak chasing to reason. They replaced God for Science. Undoubtedly the death of god was one of the most significant “events” from modern society, once until then what people had had as belief systems were depended deeply by the Religion.

The negative outcome of this fact was the rising of this passive nihilism we are seeing. When people say that “the belief in God is not the truth”, we are opening a door to affirm that “everything is false”. The disbelief in God collapsed the belief system of society and that is one of the reasons in nowadays we are seeing a deep and almost an irreversible situation whereby people are no longer able to believe in anything. Everything is seen as an illusion. Our generation is no longer able to pursue a career, a home purchasing, a family building, nevertheless all these goals that for many years made society people be “movement” by somehow. We are in the inertia. We are a sick society, no doubts about it.
But here is the question. Is there any solution for that? Are those possible people overcome nihilism?  Nietzsche pointed out one: embrace suffering.

The inescapability of suffering is something that all of us have to be aware of.  Whenever we are alive, we will suffer. Life is tragic and malevolent. And many people see this condition as a reason to stuck and stop to dream, cause everything will succumb. Fair enough. Life is tragic and we will all die. So the best option is to surrender and be faithless? That is one option but not the only.

Why not reevaluate suffering?  Once we are all in, and we are all going to suffer, why not escape from immediate pleasure and apply our existence for something which will make our life worth living? Is it will bring suffering and pain? It will, of course. But here is the paradox in Nietzsche's approach. When you suffer for something which is worth and you know it will bring value, our brain liberates dopamine, giving us pleasure long term. We tend to believe that pain and pleasure are disconnected, but they aren’t. They are the two faces of the same coin. Pursuing distract behaviors is pleasurable in the moment, but it will bring you suffering in the long term. Try to reverse it. Suffer now and live better in the future. Suffering is something will accompany anyway, but try to direct your pain for something worth, for a goal you want to accomplish and see how more fulfillment your life will be. 

Estevão Damacena, 27












A História, memória e o esquecimento.

     Paul Ricouer (1912 – 2005) se constituiu como um dos autores mais proeminentes nas discussões envolvendo feno menologia e he rmenêut...