Sunday, September 19, 2021

A corte portuguesa em direção ao Brasil: covardia ou astúcia?



O príncipe regente de Portugal, D. João VI, tomou uma decisão muito difícil em 1807. Seu reino estava na mira das temidas tropas francesas de Napoleão Bonaparte. A invasão do reino de Portugal era certa, considerando sua opção em ficar do lado da Inglaterra. Essa opção desagradava em muito o general Bonaparte, afinal a Inglaterra era um arqui-inimigo. Em Lisboa, o imperativo moral que se instaurou foi: fiquemos e lutemos ou fugimos e nos salvemos?

Com a ajuda dos ingleses, D. João VI, sua família, amigos, burocratas, assim como toda a corte portuguesa embarcaram às pressas nas naus que os levariam ao Brasil. A corte ali ficaria por mais de uma década, abalando os hábitos e costumes de um país até então extremamente "fechado" ao mundo.

Considerando os códigos de honra e coragem dos homens bem nascidos, a atitude da Corte Portuguesa pode ser enquadrada como covarde. Ainda que a derrota para as tropas napoleônicas eram dadas como certas, os lusitanos poderiam ter tido mais brio e coragem. Poderiam ter permanecido em suas terras e enfrentado o inimigo com todas suas forças. Ainda que perdessem, sua consciência moral estaria tranquila, afinal não fugiram à luta. Entretanto, sabemos que a decisão preterida foi pela fuga. Fuga a um território distante. Território que ficava do outro lado do Atlântico, chamado Estado do Brasil, àquela altura ainda uma colônia do Império Português. 


Importante pensarmos que esta fuga estava acoplada a um projeto político maior. Projeto que se revelou como um passo de extrema astúcia. D. João e seus estadistas foram capazes de “salvar” o Império Português. Caso tivessem permanecido em Portugal, certamente seriam capturados por Napoleão e seu poderoso exército. Uma vez derrotados, os portugueses “perderiam” não só o reino de Portugal, mas também suas colônias no além-mar, entre elas a colônia Brasileira. Este cenário de perda do Brasil seria catastrófico. A importância econômica da América Portuguesa dentro das linhas de força do Império era mais que indispensável. Os estadistas portugueses foram uníssonos em preservar esse Império, nem que para isso devessem fugir ao Brasil.


Uma vez que o rei e sua corte fogem ao Brasil, transfere-se o centro gravitacional de poder do Império a um território que Napoleão não poderia chegar facilmente. No limite, D. João VI e sua corte, ao migrarem aos trópicos, passaram a seguinte mensagem: “- os senhores querem nos capturar? Pois cruzem o Atlântico e nos achem nas florestas brasileiras”.


Neste cenário de transferência do centro de poder, o gerenciamento do Império Português deixou de ter Lisboa como cidade sede, e passou a ter o Rio de Janeiro como capital imperial. Neste sentido, o Rio de Janeiro foi a primeira e única cidade na América a sediar a capital de um império europeu. Um feito extraordinário sem dúvidas. Não por acaso que o Rio de Janeiro ao longo do tempo foi se tornando uma cidade muito envaidecida, pomposa e até orgulhosa. Este seu passado lhe credenciava a preservar o status de uma eterna "cidade capital".


Se pelo lado simbólico a corte portuguesa fugiu a seu dever moral de enfrentar as tropas napoleônicas, no plano político sua opção pela fuga se revelou em um plano formidável. Em uma só tacada evitou-se um embate direto com um inimigo mais forte, assim como salvaguardou suas posses coloniais no Atlântico e na Ásia. Embora as piadas brasileiras tentem associar os portugueses à figura caricata de serem sempre "burros" e "atrapalhados", no episódio da transferência da corte devemos sublinhar a astúcia e inteligência dos nossos antigos colonizadores.


Estevão Damacena, mestre em História, 29.


Wednesday, April 14, 2021

Os paulistas e a construção do Brasil




É lugar comum no imaginário popular brasileiro os paulistas serem vistos como pessoas disciplinadas ao trabalho e por isso mais propensos ao sucesso. Enquanto o carioca arruma desculpa para sair do expediente mais cedo e curtir o samba na pedra do sal, o paulista rejeita a vadiagem e parece sempre pronto a fazer aquelas horas-extras que irão garantir o ponto a mais com seu chefe. O legal de estudar nosso passado é que esses imaginários populares não raro têm alguma associação com nossa história.

Há centenas de anos atrás, quando o Brasil era ainda um território pertencente ao reino de Portugal, os paulistas curiosamente já angariavam a fama de serem os mais corajosos e desbravadores.  Fazendo comitivas de “bandeiras” e por isso chamado de “bandeirantes”, os camaradas de São Paulo criavam expedições rumo ao  interior do selvagem território brasileiro. Largando o conforto e a brisa dos povoamentos à beira das praias no litoral, eles subiam as montanhas, desmatavam a mata-virgem brasileira, fundavam povoamentos, capturavam índios mais “rebeldes” e lhes vendiam a fazendeiros sedentos por almas escravas. Os paulistas por muito tempo foram os principais agentes da colonização no imenso território brasileiro, chegando a lugares que Portugal, por si só, não conseguiria.

Na história dos Estados Unidos, os filmes de Hollywood supervalorizam o chamado “velho oeste”. Lugar que ainda faz parte do imaginário social de muita gente. Lugar de caos, onde a justiça formal não alcançava. O velho oeste provocava medo e receio naqueles que gostariam de visitá-lo. Somente os mais corajosos estavam dispostos a caírem na aventura enfrentá-lo, buscando adrenalina, fama e terras.

Aqui nos trópicos, podemos dizer que durante a colonização portuguesa também havia um “velho oeste”. Eles eram representados pelos chamados “sertões”.  Sertões eram os lugares de fronteiras. Lugares cujos habitantes eram selvagens e cujo acesso era penoso. A vegetação densa das matas brasileiras, o clima extremamente úmido, as pragas de insetos, os animais selvagens, a topografia irregular, as inundações dos rios, tribos indígenas que recebiam à flechada qualquer visitante inesperado; tudo isso compunha o retrato indômito dos sertões no Brasil, dificultando em muito uma correta exploração do território.

As autoridades representantes do poder de Portugal chamavam os paulistas de os “Mamelucos de São Paulo”. Mameluco era o indíviduo nascido do casamento entre brancos e índios. De manhã estavam nas cidades rezando a missa em português, e a tarde estavam nas matas caçando animais e falando tupi. Os paulistas eram seres híbridos. Eram a indefinição entre o civilizado e o selvagem. Esta disposição genética os tornaram os mais adaptados ao seu meio. Foram os únicos capazes de desbravar nosso inóspito território. Foram os pioneiros em domesticarem os sertões brasileiros, permitindo que a coroa portuguesa mais tarde ali fundasse povoamentos, trazendo assim a lei, a ordem e a fé católica.

Nos dias de hoje, esse espírito bandeirante se manifesta, ainda que com uma outra roupagem, na ética geral dos paulistas. Historicamente os paulistas sempre tiveram orgulho de sua história, desenvolvendo uma forte cultura regional. Na comparação com os cariocas, os paulistas se vangloriam de sua austeridade moral que se materializa em sua consolidada ética ao trabalho. Talvez seja por isso que, mesmo morando em uma selva de pedra, ainda sejam capazes de se sentirem felizes.

Estevão Damacena, 28.

 


 

Thursday, April 1, 2021

9 Intervenções militares antes do Golpe de 1964


 1) tudo começa em 1889: a Proclamação da República foi um Golpe de Estado articulado entre os militares (com a liderança de Marechal Deodoro da Fonseca) e os cafeicultores de São Paulo pra derrubar Monarquia e instalar um governo que lhes agradava. 

2) a Revolução de 1930 pode ser entendida como um Golpe de Estado, articulado entre o Movimento de Tenentes e Oligarquias Dissidentes (consideradas insatisfeitas com a hegemonia paulista), que colocou Getúlio Vargas no Poder, dando início à Era Vargas. 

3) o golpe do Estado Novo (1937) foi orquestrado por militares como Olímpio Mourão Filho e a elite política Varguista. Tudo isso depois de veicularem um suposto plano dos comunistas para tomarem o país, o Plano Cohen, que depois foi admitido pelo exército como plano falso.

4) a reabertura pós-guerra, em 1945, se deu através de um golpe, protagonizado por Eurico Gaspar Dutra e Góis Monteiro, que depôs Getúlio Vargas e deu lugar à ascensão ao poder do próprio Dutra. Importante: Monteiro e Dutra eram ministros militares de Vargas. 

5) em Agosto de 1954, é consenso entre os historiadores e políticos da época, como Tancredo Neves, que o suicídio de Vargas se deu em função da pressão de setores do alto oficialato militar para que ele renunciasse. Ou seja, Vargas se mata e freia um golpe militar em curso. 

6) em 1955, militares de vários setores das forças tentam impedir a posse de Juscelino Kubitschek ao executivo, com a desculpa de que se tratava de um filhote político do populismo. É um militar nacionalista (Henrique Teixeira Lott) que impede a articulação golpista e faz com que o presidente eleito assuma seu posto.

7) no meio do mandato de JK, outros dois golpes são tramados, mas impedidos pelas forças leais ao governo. 

8) em 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, os militares tentaram impedir a posse de seu vice presidente (João Goulart), que se encontrava no Leste em viagens diplomáticas e comerciais, com a desculpa de que Jango significava uma ameaça à democracia brasileira.

9) em 1961, o mesmo Jango assume, depois de ser ameaçado de bombardeio em pleno voô de volta pra casa (operação mosquito) e depois também de aceitar a imposição militar de uma emenda parlamentarista, que, na prática, significava a castração dos poderes políticos do presidente. 

Em 1964, não teve jeito: na primeira oportunidade que se abriu, Olímpio Mourão Filho (o mesmo que havia ajudado a elaborar o Plano Cohen quase trinta anos antes) deflagrou a marcha de Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro - evento que materializou o golpe e deu incio ao regime militar que durou de 1964 a 1985. 

O golpe de 1964 é lembrado por muitos, festejado por alguns e lamentado por tantos outros.

Mas é importante destacar que ele não pode ser considerado apenas uma mancha na nossa história política. Ou, como destacam alguns historiadores, como um trovão feio num dia ensolarado e de céu azul.

Isso porque, na verdade, nós nunca tivemos uma tradição democrática. Nós, ao contrário, sempre fomos afeitos ao autoritarismo e à violência como forma de resolver os conflitos políticos.

A história democrática no Brasil é, ainda, curta e frágil.

Nossa história política é, infelizmente, uma história de intervenções militares. 

É preciso lembrar. 


Rafael Davino, 30, professor. 

Monday, March 15, 2021

A angústia de viver



Freud em sua singular genialidade foi capaz de estabelecer paralelos importantes entre a ética e a psicanálise. Em última instância, a pergunta que se faz é: de que maneira nossas escolhas morais são influenciadas pelo mundo consciente e inconsciente de nossas mentes?

Nas idas e vindas de nossa moral, percebemos que quando tudo está indo bem em nossas vidas, somos mais permissivos e indulgentes. Porém, quando algum infortúnio nos sobrevém, ponderamos nossas ações, estabelecendo assim restrições e sacrifícios.

Para explicar tal fenômeno, Freud diz que o destino é um elemento substitutivo da instância parental. Toda criança sente o indelével medo de perder o amor de seus pais, pois a solidão e o desamparo são difíceis de suportar. Quando a criança age e percebe que sua ação coloca em risco o amor dos pais, ela então se depara com o sentimento de culpa ou arrependimento do mau que fez. Esse sentimento de culpa a leva aceitar castigos e restrições de seus instintos, para que então seja possível pagar o dano cometido e assim recuperar o amor perdido.

Quando adultos, agimos da mesma maneira quanto ao destino.  Quando nossos encontros com a vida são atravessados por infortúnios, somos também levados ao sentimento de culpa. A internalização da culpa se dá pela constatação de que o destino deixou de nos amar e agora nos impõe sofrimento. Em nossas mentes, as tribulações são sinais de que não sou mais amado por essa instância superior.  Para que seu amor regresse, devo então me comportar bem, tomar ações eticamente corretas.

Lembramos do ladrão que roubava melões e, ao cometer tal ato novamente, percebeu que a fruta desta vez estava amarga. Diante deste fim não desejado, o ladrão questiona-se: “foi este o primeiro melão que eu roubei”? Enquanto os melões vinham doces e prazerosos ao paladar, o ladrão jamais ponderou sobre seu ato primeiro, o fato de tê-los roubado. Porém, quando o infortúnio de ter pego um melão amargo se sucedeu, o ato imoral agora introjeta-se em sua consciência, podendo então sentir-se culpado.

Importante pensar que essa situação difere-se das sociedades antigas. Nelas, quando as desgraças chegavam, atribuía-se a culpa ao fetiche e nunca a si mesmos. Porém, em nossa atual civilização, o sentimento de culpa é permanente e ela é depositada inteiramente nos indivíduos. Essa culpa constante se transforma em neurose. Os indivíduos precisam renunciar seus instintos em favor das ações éticas corretas, na esperança de que o destino possa ser benevolente com eles. Entretanto, não importando o quão virtuosos possamos ser, a vida e suas contingências sempre encontram novos meios de nos abater. O homem então se vê duplamente infeliz. Primeiro por está constantemente renunciando seus desejos primários e segundo devido os infortúnios escaparem ao seu controle.

Constante angústia e remorso são as sensações que nos acompanham. Esse retrato psíquico representa o que Freud chama de "mal-estar na civilização”. Progresso, tecnologia, saúde e higiene, feitos fantásticos do mundo civilizado, foram possíveis ao custo de permanente renúncia instintual. O preço que pagamos para tais benesses continua sendo muito alto. O homem, ainda que sinta-se mais seguro e confortável na civilização, todavia não consegue escapar da angústia que o persegue.

Por Estevão Damacena, 28.


Wednesday, January 20, 2021

Tudo bem no natal do ano que vem: uma crônica sobre o tempo, a vida e a morte.

 





Nas minhas aulas, sempre digo: a questão fundamental não é sobre o filme que você escolhe assistir, mas sim como assistiu ao filme que você escolheu. 


Nessa férias, assisti duas vezes ao filme "Tudo bem no natal do ano que vem" - título assistido por 26 milhões de contas na Netflix em menos de 28 dias.


Comecei o filme de maneira desinteressada, e até quase de má vontade (por imaginar que se tratava de mais um besteirol brasileiro), mas o correr da obra começa a fazer sentido e me chamou. 


O filme, ambientado na cidade do Rio de Janeiro, se passa na virada do dia 24 para o dia 25 de Dezembro. No natal de 2009 para 2010.


Nele, o personagem Jorge (interpretado por Leandro Hassum) parece viver o seu inferno astral nessa época do ano: odiando tudo o que diz respeito a uma das nossas datas mais queridas e, não menos importante, tendo que aturar a (indesejável) família de sua esposa.


Fato é que Jorge amaldiçoa o natal e, como efeito rebote, recai sobre ele a maldição: a partir de então, ele estará condenado a acordar em todo dia 24 de dezembro, sem lembrar absolutamente nada que vivera ao longo de todo o ano. Como se o ano inteiro passasse em, apenas, uma dia. 


Quase como um Click (filme protagonizado por Adam Sandler) à brasileira, "tudo bem no natal do ano que vem" parece expressar algumas das questões mais presentes de nossa era: a angústia com a percepção da velocidade da passagem do tempo e a inevitabilidade da morte. 


Todos os anos nos sentimos como o personagem de Leandro Hassum: é como se tivéssemos piscado e o tempo voou. Quando percebemos, já estamos no período das festas de fim de ano.


Sempre estamos ocupados, executando milhões de tarefas simultaneamente (olhando somente para nós mesmos e esquecendo completamente os outros), que não nos sobra tempo para as brincadeiras dos filhos, para as demandas d@s companheir@s ou mesmo para apreciar a beleza, a complexidade e a singularidade da existência. Afinal, tempo é dinheiro e deve ser gasto em algo "realmente útil".


Como adverte o filósofo Byung-Chul Han, nos exploramos a nós mesmos achando que estamos nos realizando (...) e vivemos com a angústia de não estarmos fazendo tudo o que poderia ser feito.


Fica aquela sensação de vazio, de algo por completar: de todos os projetos pessoais deixados de lado, por todo o tempo mal aproveitado e pelas pessoas que ficam pelo caminho.... Quando nos damos conta, nós não vimos o ano.


Como diz o personagem Jorge:


"Eu não vi o ano ... na verdade, eu não vi a minha vida inteira passar." 


O enredo parece clichê, mas a verdade é que poucos atentam para a importância da mensagem: tempo é vida. Muitos só dão conta disso na hora de partirem para sempre! 


Chorei, como se estivesse diante da minha vida ao assistir aquele filme.


Aliás, como destaca Aristóteles na Poética, a arte tem esse papel de nos colocar diante das questões permanentes da existência. O imperativo da finitude é uma delas. 


Memento Mori (lembre-se da morte) diziam os escravos aos generais que passavam pelos arcos do triunfo em Roma. Lembrar que o tempo passa, e que a morte é condição da existência, é importante para nos lembramos, também, que a nossa vida e o nosso tempo são os bens mais preciosos que possuímos. 


Usá-los da forma mais sábia e soberana é o melhor presente que podemos nos dar. 



Wednesday, January 6, 2021

NASCI VACA DE PRESÉPIO. DESGARREI PRA ME SALVAR.



Acordei com esses versos do Alceu na cabeça. 


A música é "colcha de retalhos", do disco Saudade de Pernambuco (1979). 


Interessante lembrar que, há mais ou menos oito anos atrás, outra música que frequentava minha cabeça todos os dias era "vaca profana", de Caetano Veloso. 


As duas canções têm algo em comum: ao mesmo tempo que lembram do nosso "espírito de rebanho" ou "espírito de manada" - como, inclusive, advetira Nietzsche -, falam sobre (a necessidade) (d)o despertar da consciência. Sobre liberdade.


A vaca profana do Caetano é aquela que, ao "pôr os córneos acima da manada", enxerga além. Vê mais longe.


E, ao fazê-lo, profana o sagrado do rebanho que teima em seguir rumo ao absurdo da caretice, do culto à ignorância, do aprisionamento à zona de conforto, da morte voluntária - de sensibilidade e afetos, sobretudo. 


O Alceu, nessa música, diz tudo isso em poucas palavras: "atropelando a hipocrisia, no dia-a-dia, verso a verso. Nasci vaca de presépio. Desgarrei pra me salvar".


Eu não nunca sei o porquê as palavras escorrem por meus dedos...


Mas sei que escrevo essas linhas enquanto seguro nas mãos o livro Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto - livro ácido, que desvela as contradicões da sociedade brasileira, e sobre o qual volto a escrever aqui outro dia. 


E sei, também, que o sagrado de hoje é o "novo normal". E o novo normal é, simplesmente, é a normalização de tudo o que é mais absurdo em nossos tempos: da negação da ciência ao discurso anti-vacina; das taxas de analfabetismo à tentativa de deslegitimar a importância das ciências humanas no processo educacional. 


As vacas continuam seguindo a manada. Marchando, voluntariamente, rumo ao abate. 


É preciso desgarrar prara se salvar. 



Rafael Davino, 30, professor. 

A História, memória e o esquecimento.

     Paul Ricouer (1912 – 2005) se constituiu como um dos autores mais proeminentes nas discussões envolvendo feno menologia e he rmenêut...