1) tudo começa em 1889: a Proclamação da República foi um Golpe de Estado articulado entre os militares (com a liderança de Marechal Deodoro da Fonseca) e os cafeicultores de São Paulo pra derrubar Monarquia e instalar um governo que lhes agradava.
2) a Revolução de 1930 pode ser entendida como um Golpe de Estado, articulado entre o Movimento de Tenentes e Oligarquias Dissidentes (consideradas insatisfeitas com a hegemonia paulista), que colocou Getúlio Vargas no Poder, dando início à Era Vargas.
3) o golpe do Estado Novo (1937) foi orquestrado por militares como Olímpio Mourão Filho e a elite política Varguista. Tudo isso depois de veicularem um suposto plano dos comunistas para tomarem o país, o Plano Cohen, que depois foi admitido pelo exército como plano falso.
4) a reabertura pós-guerra, em 1945, se deu através de um golpe, protagonizado por Eurico Gaspar Dutra e Góis Monteiro, que depôs Getúlio Vargas e deu lugar à ascensão ao poder do próprio Dutra. Importante: Monteiro e Dutra eram ministros militares de Vargas.
5) em Agosto de 1954, é consenso entre os historiadores e políticos da época, como Tancredo Neves, que o suicídio de Vargas se deu em função da pressão de setores do alto oficialato militar para que ele renunciasse. Ou seja, Vargas se mata e freia um golpe militar em curso.
6) em 1955, militares de vários setores das forças tentam impedir a posse de Juscelino Kubitschek ao executivo, com a desculpa de que se tratava de um filhote político do populismo. É um militar nacionalista (Henrique Teixeira Lott) que impede a articulação golpista e faz com que o presidente eleito assuma seu posto.
7) no meio do mandato de JK, outros dois golpes são tramados, mas impedidos pelas forças leais ao governo.
8) em 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, os militares tentaram impedir a posse de seu vice presidente (João Goulart), que se encontrava no Leste em viagens diplomáticas e comerciais, com a desculpa de que Jango significava uma ameaça à democracia brasileira.
9) em 1961, o mesmo Jango assume, depois de ser ameaçado de bombardeio em pleno voô de volta pra casa (operação mosquito) e depois também de aceitar a imposição militar de uma emenda parlamentarista, que, na prática, significava a castração dos poderes políticos do presidente.
Em 1964, não teve jeito: na primeira oportunidade que se abriu, Olímpio Mourão Filho (o mesmo que havia ajudado a elaborar o Plano Cohen quase trinta anos antes) deflagrou a marcha de Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro - evento que materializou o golpe e deu incio ao regime militar que durou de 1964 a 1985.
O golpe de 1964 é lembrado por muitos, festejado por alguns e lamentado por tantos outros.
Mas é importante destacar que ele não pode ser considerado apenas uma mancha na nossa história política. Ou, como destacam alguns historiadores, como um trovão feio num dia ensolarado e de céu azul.
Isso porque, na verdade, nós nunca tivemos uma tradição democrática. Nós, ao contrário, sempre fomos afeitos ao autoritarismo e à violência como forma de resolver os conflitos políticos.
A história democrática no Brasil é, ainda, curta e frágil.
Nossa história política é, infelizmente, uma história de intervenções militares.
É preciso lembrar.
Rafael Davino, 30, professor.

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